
Duas empresas da comunidade UPTEC - Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto foram premiadas na quarta edição do Prémio Nacional de Inovação (PNI). A Sigma Easy Charge venceu a categoria "Utilities" e o seu cofundador e CTO, Augusto Costa Franco, recebeu o Troféu Innovation Champion. Já a Biofabics, empresa graduada da UPTEC, foi distinguida com uma menção honrosa.
O projeto Sigma-WPT é o primeiro sistema europeu de carregamento sem fios para veículos elétricos com semicondutores GaN, operando acima de 300Khz. Com uma eficiência de 93%, já validada em laboratório, a tecnologia elimina os cabos no carregamento de carros elétricos, permitindo o carregamento através do pavimento. Valeu à Sigma Easy Charge a vitória na categoria "Utilities, Mobilidade e Infraestruturas".
“É um reconhecimento muito relevante para a Sigma. Trata-se de mais um 'portal de validação' do trabalho que temos a vindo a desenvolver para transformar a forma como a energia é gerida e utilizada, contribuindo para uma transição energética mais inteligente, eficiente e sustentável”, notam os representantes da startup fundada em 2024 por Augusto Franco, Paula Sousa – ambos antigos estudantes da Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP) – e Luís Machado, com o apoio de Adriano Carvalho, professor da FEUP.
“Num setor em profunda transformação, este prémio demonstra que é possível desenvolver, em Portugal, tecnologia disruptiva de elevado valor acrescentado, capaz de responder aos desafios da eletrificação, da gestão inteligente da energia e da crescente integração das energias renováveis”, acrescentam.
Augusto Costa Franco, CTO da Sigma, foi ainda distinguido, “com enorme orgulho, mas também com um profundo sentido de responsabilidade”, com o "Troféu Innovation Champion".
Para a equipa de empreendedores, este troféu “representa o reconhecimento diário de toda a equipa. Para uma startup portuguesa, ser distinguida entre projetos de referência nacional, é uma validação muito importante da nossa visão”, dizem.
Mais do que um reconhecimento, a empresa encara esta distinção no PNI como “um incentivo para continuar a inovar e a acelerar o desenvolvimento de soluções com impacto real”. Estão, neste momento, numa fase que descrevem como de “forte crescimento tecnológico e empresarial”.
O foco da Sigma está agora no desenvolvimento da uma plataforma de gestão inteligente de energia, incorporando funcionalidades suportadas por IA que permitirão tornar o carregamento wireless cada vez mais inteligente, eficiente, e autónomo. Recorde-se que, ainda este ano, a empresa spin-off da U.Porto conseguiu um investimento da MEXT – Mota‑Engil Next, braço de inovação e venture capital do grupo de construção e engenharia Mota-Engil.
Ao mesmo tempo, estão focados na escalabilidade das suas soluções e “na expansão para novos mercados, reforçando igualmente a colaboração com parceiros estratégicos nacionais e internacionais”.
"O nosso objetivo mantém-se inalterado: desenvolver tecnologia portuguesa de carregamento wireless inteligente que contribua para acelerar a mobilidade elétrica e a construção de um sistema energético mais eficiente, sustentável e inteligente, colocando a inovação ao serviço da transição energética", concluem.
Menção honrosa para a Biofabics
Já a Biofabics foi distinguida com uma menção honrosa pelo seu projeto Thermask. Falamos de um material muito fino e resistente, feito de fibras minúsculas (nanofibras), integradas no desenvolvimento de protótipos de máscaras de proteção contra ameaças químicas, biológicas, radiológicas e nucleares (CBRN), e em soluções de camuflagem térmica. Esta inovação reforça a autonomia e a segurança da defesa europeia através da utilização de materiais avançados.
Pedro Costa, CEO da empresa, recebeu o galardão, que vê como um reconhecimento muito significativo. “Esta é a validação do impacto real da nossa tecnologia e do nosso compromisso em transformar a investigação científica avançada, desenvolvida em Portugal, em soluções tecnológicas de ponta com alcance global”, reforça.
A Biofabics recebeu a chancela spin-off da U.Porto em 2020 e também passou pela UPTEC sendo, neste momento, graduada. Especializada em biofabricação, microfluídica e biorreatores, desenvolve tecnologias inovadoras como ambientes semelhantes ao corpo humano para culturas celulares e também têxteis sintéticos criados em laboratório para a indústria da moda.
Sediada no Porto, a startup destaca-se internacionalmente no desenvolvimento de substitutos de pele, lã e cabelo em laboratório, tendo já garantido milhões de euros em fundos da Comissão Europeia.
Neste momento, estão em fase de expansão internacional e diversificação tecnológica. “Estamos a aplicar os nossos modelos in vitro avançados, tecnologia organ-on-a-chip e sistemas de mircofluídica a um leque cada vez mais amplo”, refere Pedro Costa.
O trabalho da Biofabics abrange não só a biomédica, mas também áreas muito diversas como a aquacultura e nutrição animal, a agricultura sustentável, a economia circular e até a defesa. “Para dar resposta a este crescimento, estamos a liderar e a integrar novos consórcios europeus e a preparar a industrialização e automação dos nossos processos de produção”, conclui.
Esta foi a quarta edição do Prémio Nacional de Inovação, uma iniciativa conjunta do Jornal de Negócios, Banco BPI e Claranet, que conta ainda com a Nova SBE como knowledge parner institucional. Foram distinguidos 13 vencedores e atribuídas dez menções honrosas, entre as 116 candidaturas recebidas.



